segunda-feira, 26 de maio de 2008
O homem ideal me faz rir, mas nunca usa o riso contra mim. Tem a rara habilidade de saber ouvir e só dizer o que é necessário. Compreende a diferença entre estar presente e fazer companhia. Ele não exige a todo instante meu lado risonho porque sabe, como sabe de tantas outras coisas não ditas em sentenças ou discursos, que os dias negros fazem parte de mim. Nota as sutis alterações de humor pelo tom da minha voz e, antes de prejulgar as razões, se predispõe a fazer cafuné ou, sensato, cala-se ao meu lado olhando para a TV. O homem ideal canta. Não precisa ser afinado, mas sussurra (seja ao telefone ou ao vivo) canções que, em um dia qualquer, mencionei gostar. Pode saber dançar. E, se não souber, que mantenha a dignidade e fique sentadinho me observando. Ele faz asneiras. Fala doces besteiras. Não faz promessas por que sabe que nem sempre é possível cumpri-las. Vive regido por sua consciência. Mas também faz besteiras, erra, engana-se. E nem por isso deixa de ser maravilhoso.
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